segunda-feira, 19 de junho de 2017

Nióbio valor de mercado ✰ Artigo do Coronel José Batista Pinheiro

Sabemos que, nas jazidas de Catalão e Araxá, o nióbio bruto das minas da CBMM do Grupo Moreira Salles é extraído, processado e vendido de acordo com a bolsa de metais de Londres. A CBMM está bem montada e estabelecida como uma indústria moderna, mas que produz poucas divisas para o Brasil. O nióbio, além de compor ligas para emprego na medicina, fabricação de naves espaciais, foguetes e outros artefatos ultramodernos, também está sendo estudado para utilização em um reator termonuclear capaz de gerar energia limpa e barata em futuro próximo. Achamos que o valor do nióbio estipulado pela bolsa de Londres equivale a uma migalha do seu valor real, uma vez que o preço do nióbio em nossas exportações é bastante chulo como se fora um minério qualquer desses que vendemos como commodities.
Os grupos empresariais brasileiros tomam conta das nossas riquezas e não sobra quase nada para render dividendos ao nosso país.  As nossas autoridades precisam abrir os olhos para as verdades existentes nos mercados de qualquer produto que produza riqueza para todos e, não, somente para enriquecer grupos econômicos privados. Uma grande empresa exporta produtos de origem animal que alimenta em proteínas quase todos os povos do mundo e outra que exporta um mineral raríssimo, o nióbio, que alimenta as fornalhas das indústrias de ponta de países desenvolvidos. Ora, se o Brasil é o dono absoluto desse precioso minério (detém 98% de todo o planeta) tão essencial nas indústrias desses países desenvolvidos, basta que se especule a exportação desse raro mineral diminuindo a oferta e aumentando o preço de venda. Compra quem quiser, porque somos os únicos donos dessa preciosa riqueza.
Foi o que aconteceu com os ricos países árabes do Oriente Médio em relação ao petróleo, sendo eles os maiores produtores do mundo desde muito antes da 2ª Guerra Mundial não negligenciaram com as benesses que a natureza lhes deu. Somente com este produto as nações árabes ficaram bilionárias sabendo-se que o petróleo existe em qualquer pedaço do planeta, inclusive em alto mar. Será que somente os governantes árabes sabem comercializar as suas riquezas ou os nossos são demasiados estúpidos para não entender esta realidade tão óbvia? Está mais do que na hora de nossas autoridades pararem com essa politicagem estéril que alimenta os noticiários e correr atrás dos dividendos gerados com as nossas riquezas e dá um basta ao “deitado eternamente em berço esplêndido”. O Brasil é pobre porque os seus governantes são extremamente cegos ou mal intencionados.
José Batista Pinheiro - Cel Ref EB  (Rio de Janeiro, 19.06.2017) 

Um comentário:

Anônimo disse...

Fico imaginando o que fazem nas minas de grafite / terras raras que temos?

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